Retro Gamer - Porque a arte de jogar é atemporal

Retro Gamer – Porque a arte de jogar é atemporal

O mercado mundial de videogame nunca esteve tão forte como nos últimos 5 anos. A cada ano diversos títulos chamados Block Busters são laçados com orçamentos milionários e há alguns anos o faturamento dos videogames já ultrapassam as arrecadações das bilheterias nos cinemas deixando os antes badalados filmes de Hollywood em segundo plano.

Mas essa mágica começou há muito tempo atrás. No Brasil mais precisamente no ano de 1983 quando os videogames começaram a se popularizar em terras tupiniquins. E foi exatamente no início dos anos 80 que o sonho da maioria das crianças deixou de ser uma bicicleta para ser um saudoso Atari 2600.

 Atari 2600 frente de madeira

Se considerarmos nosso ponto de partida em 1983, temos exatamente 35 anos de evolução dos videogames mundo a fora e uma geração inteira de jogadores, hoje já adultos, que acompanharam toda essa evolução, desde os primeiros consoles Atari 2600 até os consoles da geração atual como o Nintendo Switch e os poderosos Xbox One e Playstation 4.

Jogadores que como eu, hoje com 36 anos, se lembram com muita nostalgia de consoles que fizeram parte da nossa infância: Atari, NES, Master System, Mega Drive, Super Nintendo, Nintendo 64 e até mesmo o primeiro Playstation.

E justamente essa nostalgia é que movimenta um mercado muito grande e que a cada ano atrai mais adeptos: os Retro Gamers. Pessoas que viveram essa fase e são apaixonadas pelos videogames do presente e do passado e que ainda hoje jogam e colecionam os chamados consoles clássicos.

Está surpreso? Tem um console clássico em casa? Pois saiba que ele pode valer um bom dinheiro. Fazendo uma busca rápida no Mercado Livre é possível encontrar consoles como o Super Nintendo e o Mega Drive em bom estado por cerca de R$ 250,00. Jogos para esses consoles custam em média R$ 70,00. Claro que esses valores variam de acordo a popularidade dos jogos e o seu estado de conservação.

Em cidades grandes como São Paulo existem algumas lojas especializadas nesse tipo de Hobby, mas começar uma coleção de boa qualidade exige um investimento razoável já que consoles e jogos em bom estado são difíceis de encontrar e quando encontramos custa caro, afinal estamos falando de alguns consoles com 20 ou 30 anos de idade.

O Mercado Livre é sempre uma boa opção, além de sites e comunidades online especializadas. Normalmente essas comunidades, como o Retro Games Brasil (http://www.retrogamesbrasil.com/), costumam organizar encontros periódicos com exposições e bazares de compra, venda e troca. O pessoal das comunidades em geral são uma ótima fonte de informação, consoles e jogos. As trocas são frequentes nesse cenário.

Recentemente temos até mesmo revistas e publicações nacionais dos amigos da Warpzone (warpzone.me/loja/) e Jogo Véio (http://jogoveio.com.br/ ), onde é possível ter informações de qualidade sobre os clássicos do passado, além é claro de nós aqui do Fliperama de Boteco que trabalhamos duro para manter a memória dos Retro Games mais viva do que nunca.

Para o colecionador não existe sensação melhor do que “garimpar” lojas em busca daquele cartucho especial e finalmente encontra-lo a um preço acessível. É justamente essa busca que torna as coleções especiais. Mas simplesmente ter uma coleção legal, com itens raros e em boa qualidade não basta. Tem que jogar! Afinal somos todos gamers e o que alimenta nossa paixão é uma boa jogatina.

Para nós Retro Gamers Jogar H.E.R.O no Atari, Ninja Gaiden 2 no NES, Super Mario World no Super Nintendo, Quackshot no Mega Drive ou mesmo Castlevania Symphony of the Night no Playstion é tão satisfatório quanto experimentar o novo Forza no Xbox One ou o novo God of War no Playstation 4. Afinal a essência é a mesma!

Então na próxima vez que aquele novo jogo for lançado e você achar que ele não está com o gráfico tão bonito ou não está rodando a 1080P 60FPS, relaxa! O que faz um jogo bom é a sua essência e o quanto de diversão ele é capaz de proporcionar! E afinal de contas em um momento delicado como o que estamos enfrentando onde os jogos novos são lançados a mais de R$ 300,00 gastar R$ 30,00 em um bom jogo de Master System parece uma boa ideia.

A seguir um pequeno bate-papo com Marcus Vinicius Garrett Chiado (Garrettimus) autor do livro e produtor do documentário 1983: O Ano Dos Videogames No Brasil e um dos maiores entusiastas dos consoles clássicos do Brasil.

Livro 1983: O ano dos videogames no Brasil

Livro 1983: O ano dos videogames no Brasil

 

Rodrigo Reche: Qual foi e em que ano aconteceu seu primeiro contato com os VideoGames?

Marcus Garrett: O primeiro contato que tive com um jogo eletrônico foi provavelmente com um telejogo (não o da Philco-Ford) da marca Superkit, o TV Jogo 3, que ganhei em 1981 ou em 1982, não me lembro bem ao certo. Eu o ligava a uma TV em preto-e-branco e, para ser sincero, o aparelho não me impressionou muito na época, mas eu me divertia com ele. O próximo jogo eletrônico com o qual tive contato foi um Game & Watch, o Turtle Bridge, que ganhei do meu padrinho. Este sim me trouxe muita diversão!

 

Rodrigo Reche: Qual a sua motivação para colecionar e jogar os consoles clássicos?

Marcus Garrett: Existiu um console que eu quis muito ter na infância, o ColecoVision, que trazia jogos cuja imagem e som eram guardadas as devidas proporções, próximos à qualidade dos jogos de fliperama. Porém, o Coleco e o clone nacional que chegou ao mercado no fim de 1983, o SpliceVision, eram muito, muito caros. Atazanei a paciência da minha mãe para que eu ganhasse um, mas não havia como, era algo proibitivo. Após o falecimento de minha mãe em setembro de 1995, fui acometido por uma crise de nostalgia. Na mesma época, o acesso à Internet começava a engatinhar no Brasil. Num belo dia, tive a ideia de pesquisar sobre o Coleco na rede (nem existia o Google ainda!), decidi ver se havia algo sobre o console, e para minha surpresa, encontrei várias informações sobre o videogame na Internet. Tanto fiz que consegui efetuar a minha primeira troca com um colecionador estrangeiro, o americano Jerry Greiner (o JerryG), que me enviou um ColecoVision em troca de vários cartuchos nacionais do Odyssey. Assim a coisa começou!

 

Rodrigo Reche: Qual o seu console preferido até hoje e por quê?

Marcus Garrett: O Atari 2600 marcou muito a minha infância. Ganhei o meu, da Polyvox, no Natal de 1983, e foram incontáveis horas jogando River Raid, Sea Quest, Space Invaders, Berzerk, Defender, Pitfall!, Decathlon, Smurf e tantas outras pérolas daquela época. Eu adorava frequentar uma locadora que havia perto de casa, a WarGames Vídeo, para ver as novidades. O Atari, digamos, é meu console favorito até hoje, e o ColecoVision é o meu console favorito “que nunca tive” – ao menos na época.

Rodrigo Reche: Qual o item mais raro da sua coleção e qual o seu preferido?

Marcus Garrett: Eu não me considero mais um colecionador, sou mais um “ajuntador” de coisas das quais gosto. Atualmente possuo mais microcomputadores clássicos, tais como o ZX Spectrum, o Commodore 64 e o BBC Micro. Não sei dizer, hoje, qual seria o mais raro…

 

Rodrigo Reche: Como você vê o crescimento do interesse pelo assunto dos consoles clássicos?

Marcus Garrett: Eu acho que esse crescimento é uma coisa positiva. Isto também me motivou a escrever os meus livros sobre a história da chegada oficial do videogame ao Brasil, livros estes que me levaram também a realizar o documentário que estou produzindo agora em conjunto com meu amigo e associado, o Artur Palma, da ZeroQuatroMidia. Acho importantíssimo resgatar esta história, a nossa história, que aos poucos vai se perdendo, afinal, já se passaram mais de 30 anos!

Documentário na integra já disponível

Marcus Vinicius Garrett Chiado