Shard Squad chega aos consoles: análise completa do “bullet heaven” brasileiro

Guilherme Ferrari
Publicado em: 2 de agosto de 2026
8 minuto de Leitura


É igual, mas é diferente

Se tem um jogo que virou sinônimo do gênero bullet heaven, esse jogo é Vampire Survivors. Hordas infinitas de inimigos, upgrades aleatórios, tela lotada de efeitos e aquela sensação viciante de “só mais uma partida”. Shard Squad parte exatamente dessa fórmula, mas troca o o mundo dos vampiros por um esquadrão de criaturas mágicas elementais ultra coloridas. É igual, mas é diferente: mesma base, alma própria. No lugar de armas que evoluem sozinhas, o jogador monta um time de Shards que precisa funcionar em conjunto, combinando afinidades para desbloquear sinergias, e é essa camada estratégica que dá identidade ao jogo brasileiro da The Root Studios.

Depois de uma boa passagem pelo PC, o jogo dá um salto e tanto. Chega oficialmente a XOne, Xbox Series X|S, PlayStation 4, PlayStation 5, Nintendo Switch e Nintendo Switch 2 no dia 30 de julho de 2026, publicado pela Nuntius Games.

Jogabilidade

A estrutura básica de Shard Squad segue o padrão consagrado do gênero. O jogador controla um Shard e enfrenta hordas intermináveis de inimigos durante um tempo determinado, até encarar o chefe da região e vencer a partida ao derrotá-lo. Eliminar adversários e coletar pontos faz o Shard subir de nível, liberando escolhas aleatórias de melhorias para ficar mais forte e resistir por mais tempo. Em intervalos específicos, chefes mais poderosos aparecem para duelos e, quando derrotados, liberam a chance de recrutar um novo membro para o esquadrão, funcionando como as “novas armas” de jogos similares.

O que realmente diferencia o jogo é a camada de afinidades elementais. Cada Shard pertence 5 elementos: fogo, elétrico, água, natureza e cristal, e carrega atributos próprios que, quando combinados com os de outros membros do time, ativam sinergias, como um novo tipo de ataque, a invocação de um Shard de suporte ou bônus de vida, defesa e dano crítico. Essa combinação torna o gameplay dinâmico e, muitas vezes, imprevisível, já que alguns Shards têm ótimos atributos passivos mas ataques menos eficientes, enquanto outros limpam a tela com facilidade mas oferecem poucas melhorias ao grupo. Saber qual Shard escolher, e em que momento da partida, vira uma decisão estratégica de verdade, e não apenas um upgrade automático.

Essa lógica de montagem de time também está no centro do cooperativo, no qual dois jogadores controlam seus próprios Shards e constroem builds separadas para formar um esquadrão combinado mais poderoso. Ao longo da campanha, novos Shards vão sendo liberados tanto para iniciar partidas quanto para aparecer como recrutas durante as investidas, e há ainda relíquias, que aprimoram aspectos específicos do grupo, além de melhorias permanentes compradas com o dinheiro acumulado em cada run.

Testei Shard Squad tanto sozinho quanto no modo cooperativo local, com a Lili, e a experiência mudou bastante entre um formato e outro. Jogando solo, tudo funciona como esperado, mas no cooperativo notei um problema que atrapalha a fluidez das partidas: os personagens ficam presos por uma espécie de “corda” invisível, o que limita a movimentação de ambos os jogadores e impede que se afastem livremente pelo cenário para explorar rotas diferentes ou fugir de situações mais complicadas. Por outro lado, um ponto positivo do modo compensa em parte essa limitação: quando um dos jogadores morre, o outro pode reanimá-lo, trazendo-o de volta à partida e mantendo o ritmo do combate sem precisar recomeçar do zero. Para…béns!

Shard Squad traz cerca de 20 horas de campanha, com uma quantidade generosa de conteúdo para quem gosta de explorar cada detalhe. Entre os destaques estão:

  • 10 mapas
  • 28 Shards jogáveis
  • Forma evolutiva para todos os Shards
  • Mais de 20 combinações de sinergias
  • 99 relíquias com efeitos únicos
  • Mais de 200 inimigos diferentes
  • 59 chefes exclusivos
  • Bestiário completo
  • Cooperativo local e online
  • Contos desbloqueáveis
  • NPCs com histórias próprias
  • Cutscenes dubladas em português, inglês, japonês e chinês

Que visual lindo

Visualmente, Shard Squad é um dos grandes trunfos da produção. A direção de arte aposta em um pixel art isométrico cheio de cor e personalidade, com cenários bem trabalhados e criaturas que conseguem transmitir carisma mesmo em proporções pequenas. Cada Shard tem um design expressivo e reconhecível, o que ajuda o jogador a se conectar com o esquadrão logo nas primeiras horas de jogo. Os efeitos visuais durante os combates também merecem destaque, já que a tela se enche de ataques, partículas e sinergias ativadas sem perder a legibilidade, um equilíbrio difícil de acertar em jogos do gênero bullet heaven. É um capricho estético que reforça a identidade própria do título brasileiro e mostra que qualidade visual não depende de orçamento gigante, e sim de escolhas artísticas bem definidas.

De protótipo de estudo a lançamento multiplataforma

A trajetória do jogo reforça o tamanho do salto. Shard Squad começou como um projeto de estudos em Unity, conhecido inicialmente pelo título provisório “Pokémon Survivors”, até ganhar tração online e virar propriedade intelectual original nas mãos do criador Rennan Costa. Segundo ele, o maior desafio foi concluir um jogo independente sem financiamento externo, o que torna a chegada simultânea a seis plataformas um marco e tanto para o estúdio de Fortaleza.

Problemas


Durante minha experiência com a versão de PlayStation 4, no entanto, encontrei alguns problemas técnicos que vale mencionar. O jogo travou por diversas vezes ao longo das partidas, exigindo o fechamento forçado e reinício da aplicação para continuar jogando. Além disso, notei um bug envolvendo o personagem Chef Jokan, que saiu do lugar onde deveria estar posicionado no cenário, impossibilitando a interação com ele a partir daquele momento. Esses problemas de estabilidade e um bug de posicionamento comprometem um pouco a experiência e é algo que vale ficar de olho em possíveis patches de correção nos próximos dias após o lançamento.

O lugar onde Chef Jokan deveria estar

Vale a pena?

Shard Squad se firma como uma opção sólida do bullet heaven, principalmente para quem curte sistemas de combinação estratégica e não se incomoda com uma dificuldade que aperta rápido. É igual a Vampire Survivors na fórmula, mas diferente o suficiente para valer a pena testar por conta própria.

Prós

Contras

  • Curva de dificuldade inicial pode ser alta para jogadores iniciantes;
  • Alguns Shards possuem habilidades pouco impactantes, reduzindo a variedade prática de escolhas.

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Aqui é o Guilherme, GZ, hoster do podcast!