Entre os dias 24 e 26 de julho de 2026, a nostalgia tomou conta de São Paulo com mais uma edição da Retrocon organizado pela Warpzone, o evento que se consolidou como o ponto de encontro definitivo para os amantes dos videogames clássicos. Logo no primeiro dia, 24 de julho, vesti a camisa do Fliperama de Boteco e fui até lá acompanhado do meu filho com uma missão bem clara: fazer a cobertura oficial para o site e vivenciar de perto o clima da feira. Nosso objetivo era registrar como a paixão pelos consoles antigos, cartuchos e fliperamas mofados continua mais viva do que nunca, conectando velhos conhecidos e novas gerações ao longo dessa infinita highway do retrogaming.
Sediado em São Paulo, o evento contou com ingressos em modalidades de meia-entrada, inteira, passaportes para múltiplos dias e pacote VIP. Os valores dos ingressos no 3º lote variaram de R$ 100,00 (meia-entrada para o domingo) até R$ 560,00 no passaporte de 3 dias inteira — com a opção da experiência VIP saindo por R$ 900,00 —, garantindo acesso completo às áreas de free play, exposições de relíquias, estandes de vendas e campeonatos.
A Evolução da Feira e as Primeiras Impressões
Como alguém que esteve presente na primeiríssima edição da Retrocon, a evolução na estrutura e na organização é nítida. Ocupando mais de um pavilhão do Expo Center Transamérica, o evento adotou o formato tradicional de feira, com estandes temáticos bem distribuídos por um espaço gigantesco.
De Indies a Quadrinhos: A Variedade nos Estandes
A maior parte do espaço foi destinada aos desenvolvedores indies, que ganharam um palco excelente para apresentar seus projetos. Era possível testar os jogos ali mesmo e comprar os títulos diretamente com os criadores.
Por outro lado, algo que chamou a atenção foi a quantidade de lojas voltadas para a cultura pop em geral, sem ligação direta com videogames retrô. Havia estandes de mangás, pelúcias e cartas de Pokémon TCG. Um dos destaques desse setor foi o espaço da editora Pipoca & Nanquim, que trouxe um estande grande com descontos generosos variando entre 40% e 60% em seus quadrinhos.
O Santo Graal dos Colecionadores
Se a feira teve um ponto em que realmente brilhou, foi nos estandes de lojas especializadas em videogames antigos. Para quem é apaixonado por retrogaming, o local era uma verdadeira perdição (e um perigo para o bolso, já que esses itens costumam valer pequenas fortunas).
No final do texto vou deixar algumas fotos para vocês conferirem melhor, mas a quantidade de consoles raros e edições limitadas era impressionante. Tinha de tudo um pouco:
- Nintendo 64 Edição Pikachu
- Xbox Clássico Edição Dino Crisis
- Edições comemorativas de aniversário da linha PlayStation
Clima de Locadora e a Experiência nos Arcades
Outro acerto da feira foram os espaços dedicados aos games das eras 8 e 16 bits, montados em um cenário que remetia diretamente às locadoras da nossa infância. A diferença — e a grande vantagem — é que ninguém precisava pagar por hora: bastava encontrar um videogame vago, sentar e jogar. Como visitei o evento na sexta-feira à tarde, a circulação estava bem tranquila, sem filas ou disputa por controles.
Já na área dos Arcades, recheada de gabinetes rodando clássicos como The King of Fighters e X-Men vs. Street Fighter no modo Free Play, a experiência teve um ressalva. No momento em que estive por lá, uma quantidade considerável de máquinas estava desligada — arrisco dizer que menos de 30% dos fliperamas estavam operando para a jogatina.
YouTubers e Desencontro na Programação
Apesar de a organização ter anunciado a participação de YouTubers do cenário gamer, faltou clareza na divulgação. Não encontrei em nenhum lugar uma agenda com os horários e o tipo de interação que rolaria com o público.
Durante as horas em que passei no evento, presenciei apenas o YouTuber Fiaspo em um dos palcos, conversando sobre o cenário e Speed Runs com um convidado e o apresentador. O papo acontecia para pouco mais de dez pessoas que assistiam lá de baixo com pouco interesse. Fica o ponto de atenção para a organização alinhar melhor a divulgação e a preparação dessas atrações no palco principal nas próximas edições.
Garimpagem para o Atari 2600 e Cards
O grande destaque das minhas compras foram dois jogos “novos” para o meu velho e guerreiro Atari 2600. Adquiri os cartuchos Comando de Ataque e Fuga, ambos produzidos pela Retro Juice, pelo valor de R$ 200,00 cada. Em breve, prometo trazer uma review detalhada de ambos aqui no site do Fliperama de Boteco para contar se a jogatina valeu cada centavo!
Além dos jogos, aproveitei para reforçar a coleção de Pokémon TCG comprando algumas cartas. Nesse ponto, os preços dos estandes estavam bem alinhados com a média praticada no mercado, sem sustos.
Alimentação e os Famosos “Preços de Evento”
A área de alimentação contava com uma boa variedade de Food Trucks, oferecendo desde lanches rápidos até pratos de massa. Optei por comer um hambúrguer com meu filho em um dos trailers do local.
- Os Hambúrgueres: O valor ficou em torno de R$ 45,00 por lanche. Apesar de os hambúrgueres serem um pouco pequenos, a qualidade do lanche artesanal estava muito boa e o preço se mostrou justo para o padrão de grandes convenções.
- O Sustinho da Água: Se o lanche passou no teste, o mesmo não dá para dizer da bebida. Pagar R$ 9,00 em uma garrafinha de 500ml de água mineral é o tipo de facada que sempre pega o visitante de surpresa.
Estacionamento, Banheiros e Estrutura Geral
Se a água pesou no bolso, o estacionamento foi o verdadeiro golpe de misericórdia: inacreditáveis R$ 99,00 por pouco mais de duas horas de permanência no local. É sabido que a precificação do estacionamento costuma ser gerida pelo próprio pavilhão e não pela organização do evento, mas fica o alerta para que reflitam sobre a escolha do local nas próximas edições.
Pelo lado positivo, a estrutura interna funcionou muito bem. Os banheiros estavam limpos, higienizados e organizados, sem filas para utilização — ressaltando, claro, que a visita aconteceu em uma sexta-feira à tarde, dia de menor movimento que o final de semana.
Considerações Finais: O Saldo e o Futuro do Evento
É importante reforçar que este relato reflete a minha experiência pessoal e o meu olhar como retrogamer e colecionador. Cada visitante vive o evento de uma forma diferente, mas a sensação com a qual saí do pavilhão foi a de que faltou algo essencial.
Menos Lojinhas Genéricas, Mais Videogames
Em um evento que carrega o nome “Retrocon”, a expectativa era encontrar um ambiente pulsando retrogaming: compra, venda, trocas, garimpo e aquela conversa boa com quem compartilha da mesma paixão. No entanto, a impressão que ficou foi a de andar por uma sequência de lojas genéricas vendendo itens da cultura pop tradicional — coisas que qualquer um encontra em uma caminhada rápida pelo bairro da Liberdade, em São Paulo.
Além disso, o evento cresceu em espaço físico, preço de ingresso e estrutura, mas fica a dúvida se hoje existe público suficiente para preencher esse gigantismo. Embora a minha visita tenha ocorrido em uma sexta-feira — naturalmente mais tranquila —, o local estava longe de sua capacidade total, deixando vários espaços visivelmente vazios.
A Necessidade de Curadoria nos Estandes
Outro ponto crítico foi a falta de curadoria e preparação em alguns estandes. Houve uma clara ausência de cuidado em oferecer algo minimamente apresentável ao público. Em alguns espaços dedicados a jogos indies, o pessoal da linha de frente sequer sabia explicar a proposta do próprio game. Em outro estande, foi impossível testar o jogo porque faltava um simples cabo HDMI para conectar o console à televisão. Detalhes básicos assim afetam diretamente a experiência do visitante.
Custo-Benefício e o Perigo de Perder a Essência
Quando colocamos na ponta do lápis a somatória dos ingressos, os R$ 99,00 do estacionamento e os custos de alimentação, a conta final fica pesada para o que foi entregue.
Não há hipocrisia aqui: todos sabemos que um evento deste porte precisa ser comercialmente viável e gerar lucro para continuar existindo. Contudo, o produto final precisa ser pensado primariamente para o jogador, o colecionador e quem ama videogames. Perder o foco, cobrar caro e não entregar a experiência esperada é a receita para o desgaste da marca — algo que o cenário gamer infelizmente já viu acontecer com feiras como a Brasil Game Show (BGS).
Talvez um espaço um pouco menor, focado em qualidade ao invés de quantidade, acompanhado de preços mais modestos, seja o caminho para melhorar a experiência geral nas próximas edições. Torço para que o próximo evento aprenda com esses deslizes e resgate de fato o foco no jogador.






































































