Por que jogamos Videogame?

Rodrigo Reche

Por que jogamos Videogames? Com certeza você que está lendo esse artigo já se fez essa pergunta, mesmo que inconscientemente.

Falando especificamente do meu caso: O que motiva um adulto, pai de família, com um emprego bom e estável, sem quase nenhum tempo livre desprender horas preciosas e escassas da sua vida em frente a uma tela “brincando” com jogos eletrônicos?

E as respostas nem sempre são simples ou diretas. Encontrar justificativas racionais para esses questionamentos não é uma tarefa fácil. Ainda mais se estamos tentando explicar essas razões para outra pessoa que não gosta de jogar e não entende a verdadeira paixão que temos por esse Hobby.

Nas linhas abaixo vou tentar explicar em alguns tópicos quais são as minhas motivações.O  objetivo desse artigo não é de maneira nenhuma justificar a nossa paixão pelos “joguinhos” e sim abrir a cabeça das pessoas que sentem vontade de jogar, mas não o fazem por puro preconceito, medo do desconhecido ou mesmo desinteresse por julgar essa atividade uma perda de tempo.

Vale ressaltar que os motivos e justificativas abaixo não são baseadas em nenhum trabalho de pesquisa acadêmico e sim baseado nas minhas percepções que acumulei em mais de 30 anos de jogatina.

 

1. Acompanha a evolução da tecnologia

Uma das coisas que mais me fascina nos Videogames é poder acompanhar o desenvolvimento tecnológico.
Eu, particularmente tive o privilégio de acompanhar e viver toda essa evolução, desde 1984 quando ganhei meu primeiro Videogame até os dias atuais e isso é fantástico.

É óbvio que qualquer pessoa, independente de jogar ou não Videogames, conhece e vivencia essa evolução, mas ela é muito mais palpável quando estamos acompanhando através dos videogames.

A cada nova geração de console que é anunciada temos a possibilidade de experimentar o que há de mais novo dentro de casa.

Basta pegar um jogo de corrida que fazia sucesso em 1984 como o Enduro do Atari 2600, por exemplo, e compará-lo com Forza Horizon 4 de 2018.  A diferença é tamanha que nem parece que estamos comparando as mesmas coisas. Para uma pessoa que não é do meio pode aparentar que a comparação é entre um jogo de videogames (Enduro) e um filme de ação (Forza Horizon 4).

Forza Horizon 4
Forza Horizon 4

A janela de lançamento entre esses dois jogos pode até parecer grande em um primeiro momento, afinal de contas estamos falando em mais de 30 anos. Mas poucas coisas evoluem tão rápido quanto a tecnologia. E sem dúvidas a indústria dos jogos, que hoje já é mais rentável que a indústria do cinema, tem grande responsabilidade nisso.
Jogar Videogames e acompanhar de perto o assunto sem dúvida nenhuma te garante uma posição privilegiada quando o assunto é tecnologia de maneira geral.

 

2. Aprimora a tomada de decisão

Já pararam para pensar quantas decisões somos obrigados a tomar durante um dia normal e rotineiro em nossas vidas? Alguns estudos apontam que diariamente tomamos entre 400 e 1.000 decisões todos os dias em nossas vidas e o cérebro toma essas decisões, muitas vezes de maneira imperceptível, como se fosse um computador.

Na minha concepção os videogames estimulam e desenvolvem essa habilidade naturalmente em nosso cérebro e nos permite tomar as decisões e analisar as alternativas de forma mais rápida e consistente.

Videogames estimulam e desenvolvem essa habilidade naturalmente em nosso cérebro
Videogames estimulam e desenvolvem essa habilidade naturalmente em nosso cérebro

Existem diversos jogos onde essa mecânica é evidenciada e o jogador precisa tomar as decisões pelo personagem para conduzir a narrativa da maneira como mais lhe agradar, quase que como um filme interativo. Podemos citar alguns exemplos de jogos específicos com essa abordagem como: Heavy Rain, Late Shift, Detroit Become Humam, Walking Dead etc.

Mas não são apenas esse estilo de jogo que exercita o nosso cérebro quando o assunto é a tomada de decisões. Todos os outros estilos de jogos nos obrigam a tomar decisões de maneira muito rápida, mas na grande maioria das vezes essas decisões são tomadas de maneira imperceptível para o jogador. Por exemplo: Devo ou não pegar esse item? Por qual caminho devo seguir? Melhor atacar esse inimigo pela frente ou por cima? Devo arriscar e fazer essa curva com uma velocidade alta para ganhar tempo ou reduzir e fazer a curva de maneira segura? Qual o personagem devo escolher para jogar?

Enfim, as possibilidades são infinitas e como os jogos de Videogame são dinâmicos todas essas decisões precisam ser tomadas, muitas vezes, em frações de segundo. Não tenho nenhuma dúvida de que a exposição frequente a esse tipo de situação nos condiciona a tomar decisões de maneiras mais rápidas e coerentes porque conseguimos analisar uma quantidade maior de cenários possíveis em menos tempo.

 

3. Desenvolve raciocínio lógico

A solução de alguns quebra cabeças, ou a elaboração de alguma estratégia é parte central de qualquer jogo de Videogame. Desde muito cedo alguns jogos específicos são totalmente voltados para a solução de desafios lógicos. Alguns exemplos conhecidos são: Tetris, Othelo, Puzzle Bobble, Shape and Columns etc.

Mas fato é que esses jogos nem sempre alcançam a popularidade dos jogos de ação e aventura, mas nem por isso o jogador é menos desafiado a resolver quebra-cabeças, muitas vezes complexo. Recentemente mesmo os jogos que não são do estilo Puzzle estão acrescentando elementos desafiadores em suas campanhas.

Mesmo em um jogo linear e de aventura como Uncharted somos levados a resolver problemas e encontrar soluções lógicas para seguir adiante. Essa é uma tendência atualmente e quase todos os jogos onde o foco é a história apresentam alguns elementos de Puzzle. E como tudo na nossa vida, obviamente, a prática leva a perfeição. Ao se desafiar em busca de uma melhor pontuação, ou mesmo simplesmente para fazer a história seguir adiante acaba condicionando a mente do jogador a buscar pelas peças necessárias para a solução do quebra-cabeça proposto.
Um exemplo bastante recente de um jogo que propõe desafios consideráveis e não apresenta a solução de cara para o jogador é Legend of Zelda: Breath of the Wild. O jogador é simplesmente deixado em um mundo gigantesco para explorar, sem nenhum tutorial que guia o jogador.

Em Uncharted somos levados a resolver problemas e encontrar soluções lógicas para seguir adiante
Em Uncharted somos levados a resolver problemas e encontrar soluções lógicas para seguir adiante

É como se estivéssemos na vida real. Ainda hoje muita gente revela descobertas no jogo, que diversos jogadores que já finalizaram sequer suspeitaram.

Por exemplo: Quando temos uma quantidade grande de inimigos para derrotar, podemos jogar uma arma de metal no chão e atingi-la com uma flecha elétrica, fazendo com que o raio se espalhe e acerto todos os inimigos próximos.
Em nenhum momento o jogo te ensina que isso é possível. Vai da curiosidade e inventividade de cada jogador explorar em busca de alternativas para seguir a jornada de maneira mais fácil.

Não há como negar que esse senso de curiosidade e essa habilidade de resolver os enigmas apresentados nos deixa mais preparados e condicionados para lidar melhor com situações em nosso dia a dia que precisam de raciocínio lógico.

 

4. Muito Mais

Poderia escrever aqui por horas com uma série de outros benefícios, mas esse artigo já está ficando longo demais.
Mas não posso deixar de citar benefícios que acredito fazerem parte do pacote para quem gosta de jogar Videogames: Melhoria significativa em nossos reflexos, ajuda na socialização, possibilidade de aprender um novo idioma e o mais importante de tudo, é extremamente divertido.

É óbvio que o grande motivador para todos nós jogadores é que essa é uma atividade extremamente divertida e prazerosa.

Enquanto jogamos podemos esquecer um pouco dos problemas da vida real e focar na nossa diversão. Podemos literalmente viver outra vida e nos entregar, nem que por apenas algumas horas, a um mundo de fantasia sem limites. Em outras palavras, podemos ser aquilo que a gente quiser enquanto estamos jogando.

E essa diversão funciona para mim como uma válvula de escape do mundo real. Enquanto estou jogando estou no meu mundo, sem cobranças ou pressões do mundo externo. Em resumo: enquanto eu jogo estou no meu momento de diversão.

Sobre o Autor

Guilherme Ferrari

NA VIDA TUDO É PASSAGEIRO, MENOS O MOTORISTA E O COBRADOR.
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