No “longínquo” ano de 2025, tivemos o lançamento de Aviãozinho do Tráfico 3: Abri um Portal pro Inferno na Favela Tentando Ressuscitar Mit Aia e Preciso Fechar. Criado pelo youtuber Joeveno, o jogo era uma experiência alucinada,
surreal, insana, maluca, desvairada, delirante… que pegava o boomer shooter (FPS de velho) e o transformava em uma sátira, ou não, escrachada do Brasil.
Apenas um ano depois, o carioca voltou com tudo em AVIÃOZINHO DO TRÁFICO PRÉ 4: SOBRARAM DEMONIOS DO PORTAL PRO INFERNO NA FAVELA QUE ABRI E AGORA TENHO QUE SALVAR OS MAMADAS DO RONALDO. Que nome :D! Com uma roupagem parecida, o clássico igual, porém diferente, AVIÃOZINHO 4 quase virou uma expansão do jogo anterior, segundo o próprio desenvolvedor revelou a quem vos escreve.
História?
A história existe. Ela está ali. Mas, sejamos honestos: ninguém veio jogar AVIÃOZINHO DO TRÁFICO PRÉ 4 pela trama. Depois dos acontecimentos do jogo anterior, ainda sobraram demônios daquele portal pro inferno que foi aberto na favela. E, como se já não bastasse ter que lidar com essa pequena consequência sobrenatural, os demônios resolveram capturar os Mamadas.
E é aí que começa mais uma missão absolutamente normal do protagonista: atravessar o Brasil na base de muito tiro, porrada e bomba para salvar os Mamadas do Ronaldo. E, sinceramente, depois de algumas fases, você já nem questiona mais. Só pega a arma e vai. Que bom!
Jogabilidade!

A estrutura continua seguindo a cartilha básica do “entrou na fase, pegou chave, arma e agora é problema de todo mundo”. A gente explora as diferentes áreas da favela, encontra os demônios que ficaram espalhados por ali e resolve tudo da maneira mais diplomática possível: tiro e dedo cu e gritaria.
E é aqui que o Pré 4 começa a mostrar que não veio para brincar de jogo de estratégia. Os demônios aparecem em quantidade e, quando você percebe, já tem inimigo vindo de todos os lados, tiro passando pela tela e aquela sensação maravilhosa.
Os combates são essencialmente agressivos. Não tem muito aquela coisa de ficar escondido atrás de uma caixa durante cinco minutos esperando o inimigo cometer um erro. O negócio é avançar, atirar e torcer para que a mira esteja colaborando. A minha mira ainda estava boa depois de virar a principal fonte: Quake.
E não espere uma montanha de sistemas para decorar. Não temos uma árvore de habilidades que parece declaração de Imposto de Renda, nem 37 tipos de equipamento para ficar comparando estatística. O Pré 4 é bem mais simples: pegue a arma, mata tudo e siga em frente.
A simplicidade, nesse caso, acaba funcionando a favor do jogo. Aviãozinho do Tráfico Pré 4 não está tentando ser o próximo grande épico cinematográfico da indústria. Ele quer ser rápido, exagerado e, principalmente, divertido.
E talvez seja justamente essa falta de compromisso com a normalidade que faça o Pré 4 funcionar. Ele não quer que você pare para analisar demais. Quer que você entre, veja aquela situação completamente sem noção, dê risada e continue atirando.
Gráfico

Visualmente, Aviãozinho do Tráfico Pré 4 continua seguindo aquela filosofia que a gente conhece bem: não precisa ser bonito, precisa ser engraçado e funcionar.
O jogo aposta em uma estética simples, exagerada e com aquele jeitão de coisa que poderia ter saído diretamente de um mod obscuro de PC dos anos 2000. Aqui, cenário, personagem e criatura não estão necessariamente preocupados em impressionar pela quantidade de polígonos. Eles estão ali para ajudar a contar a piada.
E quando você mistura uma favela brasileira com demônios, referências à internet velha, personagens completamente fora da casinha e situações que parecem ter saído de um vídeo de YouTube com 12 visualizações de 2008, o resultado é uma identidade visual bem particular.
O mais engraçado é justamente o contraste. De um lado temos elementos extremamente reconhecíveis do nosso cotidiano. Do outro, tem um demônio infernal pronto para transformar aquela paisagem em um episódio perdido de algum desenho que passava na TV Globinho às 7h da manhã.

“Isso não deveria funcionar junto.”
Mas funciona.
Tecnicamente, é claro, existem limitações. Quem está acostumado com os gráficos dos grandes lançamentos atuais vai perceber rapidamente que estamos diante de uma produção bem mais modesta. Mas cobrar do Aviãozinho do Tráfico Pré 4 o mesmo nível visual de um AAA seria mais ou menos como reclamar que o pastel da feira não tem o mesmo empratamento de um restaurante Michelin.
“Pode confiar, funciona.”

Aviãozinho do Tráfico Pré 4 vale a pena?
No fim das contas, Aviãozinho do Tráfico Pré 4 é um jogão. É simples? É. É completamente maluco? Com certeza. Faz sentido em vários momentos? Melhor nem tentar entender. Mas é justamente essa mistura que faz o jogo ser tão divertido. É jogão e merece ser jogado.

