Saiyuuki World 2: O meu jogo perdido

O meu jogo perdido

A vida de gamer até meados dos anos 90 era bem diferente do que estamos acostumados hoje em dia: sem internet, revistas ainda estavam engatinhando, não havia essa globalização que nos faz ficar antenados nos outros países.  Não tínhamos noção do que poderíamos encontrar na biblioteca dos 8 bits pra trás por exemplo.

Eu até comentei no cast do Yo Noid (#151) que uma das diversões minha e do meu pai era descobrir novas locadoras pelos bairros – sim! houve um tempo que locadoras eram um dos negócios mais rentáveis do país, portanto, sempre brotavam novas locadoras em toda parte – para descobrir novos jogos e assim alugar para levar pra casa passar o fim de semana. Tinha locadora que tinha os jogos da primeira fase do Nes, aqueles mais Arcades; outras tinham os mais famosinhos; outras títulos japoneses, tudo variava de onde o dono da locadora comprava as “fitas”.

Então com esse cenário em mente, um belo dia, entre 90 a 93 mais ou menos, fui retirar uma fita para jogar no fim de semana e acabei escolhendo um joguinho japonês que eu não sabia ler o nome. Ele tinha um simpático mascote usando Kimono vermelho e um bastão. Levei pra casa e eu e mais um amigo jogamos o sábado todo! Eu tinha adorado aquele jogo! Era de plataforma, tinha pandinhas, bambus, o protagonista usava um bastão para atacar, podia atacar com seu bastão para baixo, semelhante a mecânica do Ducktales, podia pular atacando com o bastão pra cima e quando derrotamos o primeiro chefe, minha cabeça explodiu!!! Nós ganhamos uma habilidade extra! Era uma mecânica estilo Megaman! Eu simplesmente amava Megaman!

Saiyuuki World 2

A noite havia chegado e o jogo não havia terminado, o que faríamos? Usamos aquela tática marota de deixar o vídeo game ligado a noite toda, desligando apenas a TV para tapear a mãe (os mais hardcores ainda colavam um pedacinho de fita isolante em cima do LED do videogame para esconder a luz). Então, domingo de manhã, já estava meu coleguinha lá, a postos pra jogatina! E assim foi o dia todo, era muito difícil o jogo, mas nós não desistimos! Enroscamos no ultimo chefão, depois da fase das nuvens, e depois dele invocar todos os outros chefes das fases, parecia impossível derrota-lo! Uma vez chegamos a faltar apenas uma bolinha de vida para derrotá-lo! mas perdemos!

Já era domingo a noite! Paramos poucas vezes para comer, tomar um suco, mas estávamos fortes no propósito quando alguém se empolgou um pouco mais e puxou sem querer o fio do controle, que puxou o videogame, que deu aquela balançadinha na fita e travou!!!

Crônica: O meu jogo perdido

Sem password, sem save game, não foi dessa vez que viraríamos esse joguinho! Na segunda-feira fui devolver o jogo com a derrota estampada na cara! Por um bom tempo eu não quis mais ver a cara desse game.

Meses depois, com o orgulho ainda ferido e pilhado pelo coleguinha, volto a locadora, mas não encontrei mais o cartucho. Fui em outras locadoras, mas não achava. Pela minha descrição da capa, acabei achando “Little Ninja Brothers”, que tem aquele garoto de kimono vermelho que foi usado como logomarca da rede de locadoras Pro Games. Mas não era o jogo que eu queria!

Foi-se a geração 8 bits… veio o Super Nintendo, o Nintendo 64, e chegamos na época onde a emulação bombou… e eu ainda com essa pendência do passado! Baixei packs e mais packs de Roms de Nes. Testei um por um e nada do meu jogo perdido. Quando o Orkut estava no auge, perguntei em comunidades de NES sobre o jogo. Eu sabia que o protagonista tinha um bastão, kimono vermelho, era uma mecânica parecida com megaman, o power tank parecia uma mamadeira, e tinham inimigos que pareciam robôs dançando break! Resultado: ninguém conhecia! Uns até falaram que eu alucinei ou inventei o jogo que nunca existiu!

Mais uns anos se passaram, e eu tentei várias buscas no Google:

“NES ninja Games”, “Megaman like games”.

Mesmo assim nada do jogo. Vi aqueles vídeos cabulosos do YouTube “1000 NES games in 1 hour”, assisti vários desses. Até que no meio de um vídeo eu encontrei algo que pudesse ser o meu jogo perdido. Peguei o nome, achei a rom, baixei…. E… ué! acho que era esse o jogo.. um tal de WHOMP ‘EM… mas estava diferente, era um índio americano o protagonista??? Uéeee… mas de fato, jogando o jogo, era ele, mas não era! isso já era em 2015! Então eu me liguei que pudesse ser uma adaptação para território americano.

Whomp 'Em - Adaptação Americana de Saiyuuki World 2
Whomp ‘Em – Adaptação Americana de Saiyuuki World 2
Saiyuuki World 2
Saiyuuki World 2

De fato, era isso mesmo! Adaptaram os elementos da cultura oriental para a cultura ancestral americana. O Rei Macaco virou um Índio! Transformaram até os Pandas Gigantes em Ursos Pardos. A estátua portadora dos talismãs que lembrava um Buda, foi substituída por um Totem com águias!

O Índio da versão Americana (Whomp 'Em)
O Índio da versão Americana (Whomp ‘Em)
Monkey King na versão Japonesa (Saiyuuki World 2)
Monkey King na versão Japonesa (Saiyuuki World 2)

Então finalmente, muitos e muitos anos depois eu reencontrei “Saiyuuki World 2”: um jogo de plataforma para o NES, lançado em 1990 pela Jaleco e que tinha forte inspiração na mecânica de jogo em Megaman.

A história do game é inspirada na “Jornada ao Oeste”que é um conto chinês do século XVI durante a Dinastia Ming. Resumindo e me apropriando das palavras do DJ Dellagunstin:

Tudo que você ver por aí com o protagonista com características de macaco, um bastão e uma nuvem voadora, é Jornada ao Oeste! Dragon Ball, Reino Proibido e mais uma pancada de coisas contam essa história milenar!

Dragon Ball e o mito da Jornada ao Oeste!
Dragon Ball e o mito da Jornada ao Oeste!

E então? Gostaram desta Crônica / análise / choradeira / depoimento? Tens um jogo perdido também? comente aí! O que eu posso dizer é que eu TERMINEI, VIREI, ZEREI! Sou o Senhor deste jogo! Ufa! Me sinto até mais leve agora =) Grande Abraço!