Playstation – A Primeira vez a gente nunca esquece

Rodrigo Reche

A primeira vez que pude experimentar o console da Sony foi na casa de um primo meu no interior de São Paulo em uma cidade chamada São Manuel. O ano era 1999.

Eu amo de paixão essa cidade e quando era mais novo costumava passar minhas férias na casa de meus tios que ainda moram por lá.

Em uma dessas visitas me deparei com o console na sala. Era o videogame do meu primo, que estava trabalhando, mas minha tia me autorizou a ligar para jogar enquanto ele não chegava.

Ao receber o sinal verde corri para a sala para procurar alguns CDs e ver afinal qual era o famoso poder dos 32 Bits.

Nessa época eu tinha dois consoles um Master System e um Turbo Game (Clone de NES da CCE). Eu acabei pulando a geração 16 Bits e jogava apenas na casa de alguns amigos.

Eu tinha pouquíssimas informações sobre os jogos que já existiam para o console. Então, usei a boa e velha estratégia de escolher o jogo pela capa. Estratégia essa que eu cansei de utilizar quando o assunto era jogos de Atari, então eu tinha muita experiência nisso.

Um deles me chamou a atenção pela temática. Parecia um jogo de zumbis da Capcom. Não pensei duas vezes, afinal se é da Capcom deve ser coisa boa, e após poucos segundos lá estava eu colocando no console Resident Evil 3.

Resident Evil 3

Logo após o logo do Playstation surgir suntuoso na tela da TV começou uma rápida animação com algumas cenas em CG do jogo. Aquilo me cativou de tal maneira que minhas mãos suavam ao segurar o controle.

Após a pequena introdução pressionei o botão Start e uma voz potente bradou no mesmo instante: Resident Evil e o controle que estava na minha mão vibrou.

Tomei um baita susto e cheguei a soltar o controle. Eu não conhecia a tecnologia de Rumble que já fazia parte do primeiro controle Dual Shock e aquilo me pegou de surpresa.

Passado o susto inicial achei aquilo o máximo e comecei a jogar fascinado pelos gráficos em 3D daquele console.

Após alguns minutos jogando resolvi trocar o jogo e achei uma caixinha de CD que tinha o Bruce Willis na capa. Era Apocalypse, um Run and Gun da Activision.

Nesse jogo o que mais me chamou a atenção foi poder reconhecer o rosto do Bruce Willis no personagem e também a sensação de profundidade que o jogo me passava. Eu tenho muito medo de altura e percorrer as plataformas suspensas daquele jogo me dava um frio na barriga. Era a primeira vez que um jogo conseguia me transmitir uma sensação física.

Apocalypse

Achei aquilo sensacional e no mesmo instante estava decidido que meu próximo console seria um Playstation.

Esse fim de semana na casa dos meus tios foi intenso e joguei muito com meu primo. Ele me deu muitas dicas sobre os jogos do console e mesmo onde comprar o meu em São Paulo.

Em 1999 eu já trabalhava dando aulas de informática e o pouco dinheiro que eu recebia ia todo para pagar minha faculdade (Eu estava no primeiro ano de Ciência da Computação), sendo assim era impossível juntar dinheiro para poder comprar mais um console. Meu pai estava desempregado na época e a aposentadoria dele era para o sustento da casa.

Foi então que nas férias da faculdade em julho de 2000 apareceram algumas turmas adicionais para eu dar aula como um curso intensivo de férias e com isso eu poderia fazer algum dinheiro extra trabalhando nos três períodos (Manhã, Tarde e Noite) uma vez que eu não tinha aulas na faculdade.

E assim foi durante toda as férias trabalhando em 3 períodos, incluindo os sábados para juntar um dinheiro a mais e poder conquistar meu Playstation.

Trabalho Extra = Dinheiro Extra

No último sábado eu estava encerrando a turma antes de voltar para as aulas da faculdade e já tinha conseguido o dinheiro todo para comprar o videogame. Mas como eu estava trabalhando deleguei a missão para minha mãe e meu irmão mais novo buscar o videogame para mim na Galeria Pajé no centro de São Paulo

Aquela manhã de sábado parecia a mais longa da minha vida. Eu estava muito ansioso para saber se eles tinham conseguido achar um console dentro do orçamento. Na hora do almoço corri telefonar para minha casa para saber se eles já tinham chegado.

Meu irmão atendeu o telefone e me deu a notícia. Eles acharam, mas não conseguiram comprar porque a loja não aceitava cheques ou cartões. Teria que ficar para a semana que vem, afinal de contas era longe de casa.

No mesmo instante pedi para falar com a minha mãe e comecei a tentar convencê-la de fazer um saque, voltar na loja e trazer o videogame. Afinal de contas eu tinha passado as férias toda trabalhando esperando por aquele dia e se uma manhã já tinha demorado uma eternidade imagine uma semana toda.

E assim foi, depois de muita insistência minha mãe aceitou fazer o saque, pegar o ônibus novamente e voltar a loja.

E lá fui eu para o período da tarde para mais uma turma que estava finalizando. Não preciso nem dizer que assim como o período da manhã a tarde se arrastou e o período de 5 horas pareceu, pelo menos pra mim, 5 séculos.

Saí da sala de aula voando quando o relógio marcava 18:00hs. Corri para casa para saber se a missão tinha sido concluída com sucesso. Naquela época ninguém tinha celular em casa.

Para minha alegria quando cheguei em casa, lá estava meu videogame novo. Que sensação maravilhosa. Foi o primeiro console que eu tinha comprado com o meu dinheiro. Era o primeiro modelo, ainda sem o controle Dualshock e vieram 10 jogos que meu irmão escolheu (Crash, Capcom Vs. Marvel, Winning Eleven entre outros), além de um Momory Card.

Caixa Playstation

Corri ligar o videogame na TV do meu quarto e foi então que quase às vésperas de voltar para minha rotina de Faculdade + Trabalho que minhas férias começaram.

Joguei aquela noite de sábado toda até o dia clarear e como se não bastasse eu ainda tinha o domingo todo pela frente.

Que dia meus amigos. Que dia!!!!!!

Sobre o Autor

Guilherme Ferrari

NA VIDA TUDO É PASSAGEIRO, MENOS O MOTORISTA E O COBRADOR.
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