Popeye – Atari 2600

Rodrigo Reche

Em algum momento entre 1984 e 1987 fui com meus pais visitar um primo que morava em um bairro próximo de casa. Sabendo que eu adorava jogar videogames ele me levou até a sala para me mostrar algo novo que ele tinha acabado de ganhar. A surpresa se tratava de um novo jogo: Popeye! Não me lembro em qual console foi, mas acho que foi em um NES. Naquela época eu não fazia ideia que existiam outros consoles além do Atari.

Fiquei fascinado com o jogo. Era incrível poder jogar com um personagem conhecido de um desenho animado que eu adorava. Nos anos 80 Popeye era um dos desenhos animados que mais passavam nas manhãs do SBT e fazia muito sucesso entre a garotada da minha faixa etária.

Ali mesmo na casa do meu primo pedi para os meus pais o cartucho. Já estava decidido:

– Mãe, quero ganhar o jogo do Popeye de aniversário esse ano!

Eu não fazia ideia de que aquilo não era um jogo de Atari, mas para minha alegria meu primo disse aos meus pais que o jogo já estava disponível também para o Atari 2600. Na hora não entendi muito bem o que ele quis dizer, afinal de contas, na minha cabeça estávamos jogando Atari. O que realmente importava era que meus pais haviam me prometido o jogo para o meu aniversário, que já estava chegando.

Caixa do Cartucho do Popeye para Atari 2600
Caixa do Cartucho do Popeye para Atari 2600

A partir daquele dia comecei a busca pelo tal cartucho do Popeye para o meu bom e velho Atari 2600. Todas as vezes que eu saia com a minha mãe pelas ruas do centro de São Paulo, eu entrava em absolutamente todas as lojas que vendiam cartuchos para perguntar do Popeye. Em meados dos anos 80 era comum vender cartuchos de Atari em lojas de departamento como Mappin, Mesbla, Casas Bahia etc, além de algumas pequenas lojas de bairro.

Comecei a perceber que não seria fácil encontrar o jogo depois de umas duas semanas perguntando em lojas diferentes e ver que ninguém tinha o cartucho para a venda. Alguns lojistas sequer conheciam ou sabiam que o jogo havia sido lançado. Realmente tenho a lembrança muito clara em minha mente de que estava muito difícil achar o cartucho, pensei até em desistir.

No dia do meu aniversário acordei um pouco melancólico. Eu não estava triste, afinal de contas era meu aniversário, mas sabia que o presente daquele ano não seria o jogo do Popeye que eu tanto queria. De repente para minha surpresa, as mensagens de bom dia e parabéns vieram acompanhados de uma maravilhosa surpresa: Meus pais tinham conseguido encontrar o jogo!

Minha felicidade por ter finalmente aquele jogo em minhas mãos e poder jogar novamente aquela aventura era tamanha que nem me lembro do restante das comemorações daquele dia. Não estou muito certo, mas acho que ele foi comprado na saudosa loja do Mappin no centro de São Paulo. Mas isso na verdade pouco importa.

Mappin - Centro de São Paulo
Mappin – Centro de São Paulo

Joguei muito esse jogo, e me recordo de não saber ao certo o que era necessário fazer para passar da primeira fase. Apenas depois de alguns dias jogando descobri que era necessário recolher todos os “Corações” que eram lançados pela Olívia para poder seguir no jogo.

A primeira vez que isso aconteceu foi mágico. Que sensação maravilhosa. Comecei a gritar na sala chamando a minha mãe para ver o que eu havia acabado de fazer.

Alguns dias depois de ganhar o jogo, aquele meu primo foi até minha casa me visitar. Me lembro de chamá-lo para ver o meu cartucho e jogar uma partida. Mesmo sem entender o motivo fiquei chateado porque ele disse que aquele não era o mesmo jogo que ele tinha. Só depois de muitos anos consegui compreender o que ele quis dizer: Era sim o mesmo jogo, mas em plataformas e gerações diferentes.

Comparativos entre as versão do Atari 2600 e do Nes
Comparativos entre as versão do Atari 2600 e do Nes

Sinceramente? Naquela época, para mim isso não significava absolutamente nada.

Eu tinha Popeye em casa e aquilo bastava. Foram horas e mais horas de diversão ao lado do marinheiro sempre resgatando a doce e adorável Olivia Palito ao fim de cada fase.

Sobre o Autor

Guilherme Ferrari

NA VIDA TUDO É PASSAGEIRO, MENOS O MOTORISTA E O COBRADOR.
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