Meu Primeiro RPG – Phantasy Star

Rodrigo Reche

“A crônica de hoje foi uma sugestão do nosso amigo e ouvinte Fabricio Pedroza (Sexta-Feira Clássica)!!!!”

Em meados da década de 90 as locadoras de filmes VHS e jogos estavam com tudo. Com o alto preço dos jogos era comum um mesmo bairro ter diversas opções.

Essas locadoras faziam a alegria da molecada que viam nesses estabelecimentos uma ótima alternativa para poder experimentar diversos jogos a um custo relativamente baixo.

E eu, como todos meus amigos era cliente fiel de pelo menos quatro locadoras no meu bairro. O acordo que eu tinha com meu pai era alugar um jogo na sexta-feira para devolver só na segunda.

Eu passava a semana toda decidindo qual seria o jogo que eu tentaria buscar na sexta-feira que teimava em demorar para chegar.

Nessa semana em especial eu havia planejado alugar Golden Axe para passar o fim de semana e poder zerar novamente essa belezinha.

Mas ao chegar na locadora me deparei com um novo jogo na prateleira. A arte na capa do jogo era bastante chamativa e mostrava uma heroína com um escudo em punho, um gato ao seu lado e alguns outros personagens batalhando mais ao fundo. Phantasy Star era o título.

Ao me sentir atraído pela capa reparei que era um cartucho com 4 Megabytes e isso me animou ainda mais. Naquela época, na minha concepção quanto mais “Megas” o cartucho tivesse mais legal o jogo seria. E para o Master System, ao menos até então, 4 Megas era o máximo.

Capa Master System

Peguei a caixa do jogo na mão e dei uma olhada na parte de trás, li o pequeno resumo da estória do jogo e reparei nos pequenos Screenshots que estavam ilustrando o verso da caixa.

Ao olhar novamente para a frente da caixa me deparei com a seguinte informação escrita de maneira tímida e pouco visível no canto superior esquerdo em vermelho: “Jogo em Português”.

Não pensei duas vezes. A batalha entre Tarik e Death Adder teria que esperar até outro fim de semana. Dessa vez eu levaria Phantasy Star.

Felizmente essa locadora costumava alugar todos os jogos de Master System com os manuais originais. Eu adorava ver as artes e acreditem ou não, eu lia todos eles antes de começar a jogar.

Com Phantasy Star não foi diferente. Cheguei correndo em casa sexta a tarde e comecei a ler o manual. Logo de cara a quantidade de páginas me chamou a atenção. Era muito maior do que qualquer outro manual de jogo que eu já tinha visto.

Após algumas páginas eu me dei conta de que aquele jogo era muito mais complexo do que eu imaginava.

Eu não fazia ideia do que era um RPG.

Durante a leitura fiz algumas anotações mentais sobre o sistema de Algol, cada um dos planetas, habilidades especiais de cada personagem e quais os melhores itens que eu poderia encontrar no jogo.

Página do Manual Europeu

Terminando a extensa leitura corri para meu quarto a fim de começar a jogatina. A primeira impressão não poderia ter sido melhor. Ver aquela abertura com Nero sendo morto na frente da Alis pelos guardas de Lassic era surreal. A animação era linda, sem contar que ler e conseguir entender os textos na tela era algo inédito até então para mim.

Tudo realmente estava em português.

Escolhi um jogo novo e comecei a percorrer toda a cidade inicial falando com cada um dos NPCs. Levei mais de uma hora explorando cada cantinho da cidade.

Durante os primeiros minutos jogando duas coisas me chamaram a atenção. A trilha sonora maravilhosa e o visual em 3D dos labirintos dentro das Dungeons.

Batalha na Dungeon

Sem conseguir avançar mais dentro da cidade comecei e explorar os limites externos e a enfrentar as primeiras batalhas.

Era divertido enfrentar os primeiros combates, mesmo sem entender muito bem o que estava acontecendo. Era difícil para uma criança de pouco mais de 10 anos assimilar tanta informação em um jogo. Principalmente para mim que nunca tinha chegado perto de um RPG.

Passei o fim de semana todo jogando. A opção de poder salvar o jogo e voltar depois para continuar era de explodir cabeças. Esse recurso também era novo para mim e eu nunca tinha visto nada igual.

É óbvio que em apenas um fim de semana eu não consegui evoluir muito na jornada. Mas de qualquer forma eu tinha um certo progresso, estava perto de conseguir Myau e a chance de aumentar meu time me deixava animado.

Mas infelizmente a segunda-feira chegou e eu precisei devolver o jogo, afinal era uma locação.

Passei aquela semana toda contando os dias para chegar a próxima sexta-feira, alugar o cartucho novamente e continuar o meu progresso.

Finalmente a sexta-feira chegou, e eu me sentia a criança mais sortuda do mundo, porque mesmo sendo um pouco tarde o jogo ainda estava disponível para locação.

Corri para casa louco de vontade para carregar meu progresso e seguir, mas em um instante toda aquela empolgação deu lugar a frustração. Tinham apagado meu progresso.

No lugar tinha outro jogo salvo muito mais avançado que o meu. Comecei a jogar só para ver como seria o jogo um pouco mais adiante. A party já estava completa com Alis, Myau, Odin e Noah e o jogo ficava muito mais divertido.

Fiz algumas batalhas e pude ver inimigos que eu não tinha visto e mesmo visitar planetas que eu não tinha conseguido chegar.

Party Completa

Mas a jogatina não durou mais do que 30 minutos. Não fazia sentido! Aquele não era o meu jogo. E também não fazia sentido começar tudo de novo, já que eu teria que devolver o cartucho na segunda-feira e perder tudo o que eu tinha feito novamente.

Naquele momento eu prometi para mim mesmo que só voltaria a jogar Phantasy Star quando eu tivesse um cartucho só meu.

Infelizmente eu nunca encontrei o jogo nas lojas perto do meu bairro para comprar. Por mais que eu pedisse para meus pais nos aniversários e natais eles não encontravam.

Era triste porque eu gostava muito do jogo, mas não tinha como jogar e por conta disso Phantasy Star passou alguns anos esquecido.

Em 1992 ganhei do meu pai uma pequena revista chamada Guia Games da Editora Abril com dicas de vários jogos de NES, Gameboy, Mega Drive e Master System. E nele tinha algo parecido com um detonado com mapas de todas as Dungeons. Eu ficava namorando aquelas páginas e imaginando como aquilo me ajudaria na jornada para derrotar Lassic.

Guia Games

Quando fiquei mais velho e já na época dos emuladores pude voltar para Algol e finalmente terminar o jogo com meu Guia Games como apoio. E graças a Alis até hoje Phantasy Star é meu RPG favorito de todos os tempos.

Sobre o Autor

Guilherme Ferrari

NA VIDA TUDO É PASSAGEIRO, MENOS O MOTORISTA E O COBRADOR.
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