A jornada em busca do Nintendo Wii

Rodrigo Reche

A crônica de hoje se passa no não tão distante assim ano de 2007. Eu tinha acabado de me casar e começava minha pós-graduação na Barra Funda em São Paulo.

Fiz alguns bons amigos durante o curso e como não poderia deixar de ser o gosto por Videogames acabou me aproximando de um outro aluno, mais ou menos da minha idade que também gostava muito de jogar. O nome dele era Rafael.

Certa vez quando cheguei na sala de aula Rafael me disse que tinha comprado um novo console pelo Mercado Livre e estava aguardando a chegada. Obviamente fiquei interessado no assunto e queria saber qual seria o console? Foi então que Rafael me disse que tinha feito a compra de um Nintendo Wii.

Eu na época estava com o meu Playstation 2 assim como 95% da população Videogamecamente (Sim eu sei que essa palavra não existe) ativa. E confesso que não me empolguei muito com a notícia.

O último console de mesa da Big N não tinha sido lá grande coisa e eu imaginava que o seu sucessor seguira a mesma abordagem já vista no Game Cube.

Game Cube – O Antecessor

Eu nunca tinha jogado em um Nintendo Wii. Na verdade, por pura falta de interesse eu sequer tinha visto uma captura de tela ou mesmo o vídeo de algum jogo rodando.

Em algumas das minhas andanças pela Santa Efigênia ou Galeria Pajé, no centro de São Paulo, já tinha visto o console em exposição. Me lembro bem que, por puro preconceito, eu tinha certa aversão ao joystick (Wii Remote) e não entendia muito bem como aquilo poderia funcionar em um console da geração atual.

O fato é que eu realmente não tinha nenhum interesse no console da Nintendo. Fato esse que mudaria drasticamente muito em breve.

Ainda em meados de 2007 fui com minha esposa jantar na casa de um casal de amigos e logo ao entrar na sala reparei no pequeno console branco da Nintendo cuidadosamente instalado ao lado da televisão. Imediatamente aquilo atraiu minha atenção.

Seria hoje o dia em que finalmente eu conheceria o mais novo console da Nintendo?

Enfim, conversamos por algumas horas, jantamos e foi então que Carlos, nosso anfitrião sabendo que eu gostava muito de Videogames me convidou para conhecer o novo Videogame.

Não preciso nem dizer que aceitei na hora.

Nintendo Wii

Foi então que todos os quatro nos reunimos na sala, Carlos ligou o console e começou a criar nossos Miis para o console.

Eu achei aquilo fantástico.

Era diferente de tudo o que eu tinha imaginado. O cursor na tela se movia feito um mouse em uma tela de computador.

Sem contar que criar os Miis estava sendo extremamente divertido. Eram muitas risadas exagerando nas características de cada um ali na sala esperando para começar a jogar.

Depois de todos os “personagens” devidamente criados começamos a jogatina. Carlos tinha apenas o Wii Sports que vinha junto com o console.

Tudo parecia muito simples, mas era impressionante o quanto aquela simplicidade era divertida. Jogar com nossos Miis era muito engraçado.

Fiquei extremamente surpreso como os controles de movimento funcionavam bem.

Outro ponto que chamou muito a minha atenção foi quando descobri que os joysticks tinham autofalantes embutidos e era possível ouvir alguns sons dos jogos diretamente nos joysticks.

Passamos quase duas horas jogando Boliche, Boxe e Tênis. Todos eram sensacionais. Eu fiquei com a impressão de que poderia jogar aqueles jogos tão simples por meses.

Wii Tennis – Wii Sports

Quando nos despedimos dos nossos amigos e tomamos o caminho de casa eu já tinha tomado a minha decisão:

Eu teria um Nintendo Wii.

O grande desafio de conseguir comprar um console novo naquele momento era que eu ganhava muito pouco e a grana em casa quase não sobrava, além do que eu tinha outras prioridades naquele momento.

Então decidir vender meu Playstation 2, os jogos e todos os acessórios que eu tinha para o console. Assim conseguiria levantar uma verba e não precisaria gastar muito mais para conseguir o console. Anunciei tudo o que eu tinha e comecei a vender as coisas. Infelizmente demorei alguns meses para conseguir vender tudo.

Nesse meio tempo comecei a acompanhar mais de perto as notícias do console que crescia em popularidade a cada dia que passava. O Nintendo Wii estava se tornando um sucesso de vendas e eu vibrava com cada novo jogo anunciado para ele.

Tudo caminhava bem e eu precisava de pouco dinheiro para poder comprar o console. Mais alguns meses e eu poderia finalmente ter meu Nintendo Wii em casa.

Em novembro do mesmo ano tivemos o lançamento de Super Mario Galaxy para o Nitendo Wii. Fiquei alucinado. Eu precisava jogar aquilo o quanto antes.

Quando eu conversava com o Rafael na pós-graduação ele me contava sobre os jogos que estava jogando e principalmente sobre o quanto Mario Galaxy era fantástico. Obviamente isso tudo aumentava minha ansiedade exponencialmente.

Eu estava tão empolgado com a situação que programei férias no trabalho para a primeira semana de dezembro assim receberia uma grana extra, poderia comprar o console e obviamente aproveitar as férias toda jogando.

As férias finalmente chegaram.

Foi então que peguei R$ 1.200,00 em dinheiro vivo, coloquei no bolso e com a cara e a coragem fui para o centro de São Paulo na Galeria Pajé buscar meu console.

Prédio da Galeria Pajé – SP

Chegando na galeria comecei a perguntar nas lojas pelo Nintendo Wii. Para meu desespero em todos as lojas por onde eu passava a resposta era sempre a mesma: “Esgotado”. O console já era um sucesso de vendas e com a proximidade do natal ele simplesmente vendia mais do que pão quente.

Achei o console em uma única loja na galeria toda quase no último andar, mas o vendedor não oferecia nenhuma garantia e também não passava muita confiança. Fiquei com receio de comprar.

Sai da loja andei alguns passos e tomei coragem para comprar mesmo assim, afinal de contas era o único console em toda a galeria. Voltei para a loja decidido, mas quando cheguei lá só pude presenciar incrédulo o último console sendo vendido para um rapaz.

Ali, na minha frente, vi o ultimo Nintendo Wii de toda a galeria Pajé ser vendido sem poder fazer nada.

Já estava no meio da tarde e eu estava com muito medo de ficar andando com tanto dinheiro no centro de São Paulo.

Frustrado, decidi voltar para casa.

Foi então que ao chegar no Parque Don Pedro para pegar o ônibus e voltar para casa tive a ideia de tentar encontrar na Santa Efigênia. Eu não tinha certeza se chegaria a tempo antes das lojas fecharem e eu ainda corria o risco de ficar andando por aí com um dinheirão no bolso. Deixando então todo o bom senso de lado resolvi seguir viagem para a Santa Efigênia.

Cheguei com quase todas as lojas fechando as portas. Perguntei em três ou quatro lojas e tudo esgotado.

Desanimei novamente. Foi então que em um último esforço avistei uma pequena loja dentro de uma galeria e resolvi perguntar antes de voltar para casa sem o console.

Para minha surpresa o vendedor extremamente atencioso tinha o console do jeitinho que eu queria e por um preço que eu poderia pagar.

Assim começamos a negociar e eu sinalizei ao vendedor que gostaria de fechar o negócio pagando em dinheiro. Foi então que ele me falou:

Só tem um problema.

Na hora minhas pernas estremeceram, meu estomago embrulhou e eu fiquei enjoado. Como assim um problema?

O vendedor me disse que tinha aberto a embalagem para vender o Wii Remote avulso para outro cliente e o console não tinha o Joystick.

O Wii Remote – Perdido

Mas para o meu alívio o vendedor disse que no dia seguinte me traria um novo Wii Remote se eu levasse o console com ele.

E assim foi. Fiz o pagamento, escolhi alguns jogos para levar, peguei o console incompleto sem o joystick e segui meu caminho para casa tendo que voltar no dia seguinte para buscar o Wii Remote.

Eu estava com um misto de alegria por ter finalmente conseguir o console, mas ao mesmo tempo eu sentia uma pontinha de frustração por chegar em casa e não poder jogar o Videogame novo.

Chegando em casa eu não pude resistir, tirei todo o console da caixa e fiz a instalação mesmo sabendo que eu não poderia jogar.

Não preciso nem dizer o quanto foi difícil dormir aquela noite devido a ansiedade que me consumia.

No dia seguinte cheguei na loja 15 minutos antes dela abrir e para minha felicidade o joystick estava lá me esperando com o vendedor.

Voltei para casa voando para jogar. O primeiro jogo escolhido obviamente foi o Super Mario Galaxy, que aliás até hoje é meu jogo favorito de todos os tempos.

Toda essa jornada valeu a pena! Passei as férias toda jogando e me divertindo com o novo companheiro.

Tive o Nintendo Wii por muitos anos até trocar por um Xbox 360, mas isso é assunto para outra crônica.

Sobre o Autor

Guilherme Ferrari

NA VIDA TUDO É PASSAGEIRO, MENOS O MOTORISTA E O COBRADOR.
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